Embraer nos Estados Unidos amplia plataforma industrial entre produção na Flórida e novo centro de manutenção no Texas

Embraer nos Estados Unidos amplia plataforma industrial entre produção na Flórida e novo centro de manutenção no Texas Levantamento realizado pelo BVMI USA mostra uma operação com 17 instalações, mais de 250 fornecedores americanos, US$ 21 bilhões em compras previstas e novos investimentos industriais na Flórida e no Texas. A operação da Embraer nos Estados…

Embraer nos Estados Unidos amplia plataforma industrial entre produção na Flórida e novo centro de manutenção no Texas-BVMI-USA

Embraer nos Estados Unidos amplia plataforma industrial entre produção na Flórida e novo centro de manutenção no Texas

Levantamento realizado pelo BVMI USA mostra uma operação com 17 instalações, mais de 250 fornecedores americanos, US$ 21 bilhões em compras previstas e novos investimentos industriais na Flórida e no Texas.

A operação da Embraer nos Estados Unidos alcançou uma dimensão que vai muito além da venda de aeronaves ao mercado americano. Levantamento realizado pelo BVMI USA mostra uma plataforma industrial formada por produção e engenharia na Flórida, manutenção aeronáutica no Texas, Tennessee e Geórgia, centenas de fornecedores locais e novos investimentos destinados à ampliação da capacidade instalada.

Nos próximos cinco anos, a fabricante brasileira prevê adquirir mais de US$ 21 bilhões em bens e serviços de empresas dos Estados Unidos. A companhia também indica a intenção de investir US$ 500 milhões em uma nova instalação de manutenção no Texas e na expansão de suas operações na Flórida.

Um dos sinais mais recentes dessa expansão ocorreu em 18 de setembro de 2026, quando a Embraer entregou à Flexjet, em Melbourne, na Flórida, o primeiro Praetor 600E. A aeronave integra um acordo avaliado em até US$ 7 bilhões, anunciado pelas empresas em 2025.

A entrega, entretanto, é apenas a parte mais visível de uma cadeia que começa nos centros industriais e de engenharia brasileiros, atravessa uma extensa base de fornecedores americanos e alcança linhas de montagem, centros de manutenção e grandes operadores de aeronaves nos Estados Unidos.

Embraer nos Estados Unidos — em números

IndicadorDimensão
Instalações nos Estados Unidos17
Área total das instalações917 mil pés²
Profissionais qualificadosmais de 2.500
Ativos nos Estados Unidosmais de US$ 3 bilhões
Empresas fornecedoras americanasmais de 250
Estados com fornecedores Embraer27
Empregos associados à fabricação de produtos Embraercerca de 10 mil
Compras previstas de empresas americanas em 5 anosmais de US$ 21 bilhões
Plano de investimentos em Texas e FlóridaUS$ 500 milhões
CAPEX Gavião Peixoto + MelbourneUS$ 90 milhões
CAPEX Fort Worthaté US$ 70 milhões

A Embraer informa atualmente empregar mais de 2.500 profissionais nos Estados Unidos e administrar mais de US$ 3 bilhões em ativos no país. As 17 instalações somam aproximadamente 917 mil pés quadrados.

De São José dos Campos e Gavião Peixoto para uma rede industrial americana

Apesar da crescente presença física nos Estados Unidos, a estrutura americana permanece conectada à base industrial brasileira.

São José dos Campos continua sendo sede da Embraer e um dos principais centros de engenharia, desenvolvimento e produção da companhia. Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, participa da fabricação da Aviação Executiva, da montagem da família Praetor e de atividades industriais e de ensaios.

Nos Estados Unidos, Melbourne, na Flórida, tornou-se o núcleo industrial da Aviação Executiva.

A própria Embraer apresenta a unidade americana como sede nos Estados Unidos, sede global da Aviação Executiva, centro de excelência, centro de engenharia e tecnologia, instalação de MRO e unidade de montagem final de jatos executivos.

A operação demonstra que a internacionalização da companhia deixou de funcionar apenas no modelo tradicional de produzir no Brasil e exportar a aeronave final.

Hoje existe uma cadeia industrial distribuída, na qual engenharia, produção, componentes, fornecedores, logística, montagem final, entrega e pós-venda estão conectados entre Brasil e Estados Unidos.

Embraer nos Estados Unidos amplia plataforma industrial entre produção na Flórida e novo centro de manutenção no Texas

US$ 90 milhões em CAPEX conectam Gavião Peixoto e Melbourne

Um dos principais projetos de expansão da companhia deixa essa relação explícita.

Os resultados financeiros mais recentes da Embraer mantêm um programa de aproximadamente US$ 90 milhões em CAPEX entre 2024 e 2027, envolvendo conjuntamente Gavião Peixoto, em São Paulo, e Melbourne, na Flórida.

O objetivo é aumentar a capacidade produtiva da Aviação Executiva até 2027, acompanhando o crescimento da carteira de pedidos.

É importante fazer uma distinção: os US$ 90 milhões não representam um investimento exclusivo em Melbourne. O programa divulgado pela companhia cobre as duas unidades, e a Embraer não apresenta, nos documentos analisados pelo BVMI USA, uma divisão pública completa do valor destinado individualmente a cada planta.

O aumento de capacidade acontece em um período de forte carteira de pedidos.

No segundo trimestre de 2026, o backlog consolidado da Embraer alcançou o recorde de US$ 34,5 bilhões. A Aviação Executiva respondia por US$ 7,8 bilhões, 5% acima do resultado registrado um ano antes.

Melbourne é fábrica, centro de engenharia e plataforma de entrega

A presença física e o perfil das funções existentes em Melbourne ajudam a mostrar a complexidade industrial da unidade.

Levantamento realizado pelo BVMI USA identificou, na data desta publicação, processos de recrutamento da Embraer em Melbourne para profissionais ligados diretamente à montagem de aeronaves, engenharia de manufatura, procurement, qualidade, preparação para voo, interiores, pintura, manutenção e desenvolvimento de produto.

Entre as posições aparecem funções como Assembly Technician, Manufacturing Engineer, Procurement Specialist, Quality Inspector, Flight Prep Technician, A&P Technician, Aircraft Interiors Technician e Product Development Engineer.

Esses cargos ajudam a revelar atividades que normalmente ficam invisíveis quando a atenção se concentra apenas no avião entregue ao cliente.

Uma linha de montagem depende de planejamento de produção, fluxo de materiais, estoque, componentes, tooling, inspeções, logística interna, qualidade, engenharia de manufatura, preparação de voo e coordenação com fornecedores.

Melbourne, portanto, deve ser observada como estrutura industrial, e não apenas como centro comercial ou de entrega.

Energia também passa a fazer parte da infraestrutura industrial

Em novembro de 2025, a Embraer colocou em operação em Melbourne seu maior projeto próprio de geração solar.

A instalação possui mais de 1.900 painéis fotovoltaicos, com capacidade de fornecer até 1.800 MWh por ano, e foi desenvolvida com a Florida Power & Light por meio do programa SolarVantage.

O projeto está instalado na sede da Embraer Executive Jets e integra a estratégia da companhia de ampliar o uso de energia renovável em suas operações.

Para uma unidade que concentra produção, engenharia, atendimento e preparação de aeronaves, a infraestrutura energética passa a integrar também a discussão sobre capacidade industrial.

Mais de 250 empresas americanas abastecem a cadeia Embraer

A produção nos Estados Unidos representa apenas uma parte da integração da fabricante brasileira à economia americana.

Levantamento realizado pelo BVMI USA identificou que a Embraer trabalha com mais de 250 empresas fornecedoras americanas distribuídas por 27 estados.

A companhia associa essa cadeia a aproximadamente 10 mil empregos qualificados envolvidos na fabricação de produtos Embraer.

Entre as empresas relacionadas pela própria Embraer como participantes de sua cadeia americana estão nomes como GE, Collins Aerospace, Pratt & Whitney, Honeywell, Parker, Garmin, Arconic, BAE Systems, CPI Aero, Crane Aerospace & Electronics, Eaton, Glenair, Hartzell, Hexcel, Lisi Aerospace, Moog, PPG e Safran, entre outras.

A lista cobre diversos segmentos de alta complexidade: motores, aviônicos, eletrônica, sistemas mecânicos, materiais avançados, componentes estruturais, conectores, coatings e outros equipamentos utilizados pela indústria aeronáutica.

Fornecedores americanos aparecem entre os destaques globais da Embraer

A importância dessas empresas apareceu novamente na Embraer Suppliers Conference 2026.

Quatro fornecedores dos Estados Unidos foram reconhecidos entre os destaques globais da companhia: Hexcel, na categoria Hardware & Matéria-Prima; Garmin, em Sistemas Elétricos & Eletrônicos; Moog, em Sistemas Mecânicos; e Pratt & Whitney, na categoria Destaque em Colaboração.

A cadeia global de suprimentos da Embraer abrange mais de 60 países, o que coloca as empresas americanas dentro de uma rede internacional conectada diretamente aos programas industriais da fabricante brasileira.

US$ 21 bilhões em compras mostram dimensão maior que o CAPEX físico

Um dos números mais relevantes identificados pelo levantamento do BVMI USA está na projeção de procurement.

A Embraer informa que pretende adquirir mais de US$ 21 bilhões em bens e serviços de empresas dos Estados Unidos durante os próximos cinco anos.

O valor ajuda a diferenciar dois movimentos.

O CAPEX representa principalmente investimentos em instalações, ampliação de capacidade e aquisição de determinados ativos. Já o volume de compras mostra a movimentação econômica recorrente necessária para manter aeronaves sendo produzidas, entregues e atendidas.

É justamente essa segunda camada que revela a profundidade da Embraer dentro da cadeia industrial americana.

A previsão de US$ 21 bilhões envolve uma base de fornecedores que alcança 27 estados, enquanto a companhia informa possuir presença tributável em 32 estados americanos.

Embraer indica US$ 500 milhões para Texas e Flórida

Outro número amplia a perspectiva sobre os próximos anos.

A Embraer afirma que pretende investir US$ 500 milhões em uma nova instalação de manutenção no Texas e na expansão de suas operações na Flórida nos próximos cinco anos.

O dado deve ser interpretado com cuidado.

A documentação analisada pelo BVMI USA não apresenta uma decomposição completa dos US$ 500 milhões por projeto, instalação ou ano.

Por isso, não é adequado simplesmente somar os US$ 500 milhões aos programas de US$ 90 milhões de Gavião Peixoto/Melbourne e US$ 70 milhões de Fort Worth, já que os projetos atualmente conhecidos podem estar total ou parcialmente contemplados dentro desse plano mais amplo.

Há ainda outro anúncio de US$ 500 milhões no material americano da Embraer, mas relacionado a um cenário diferente: esse investimento adicional está condicionado a uma eventual seleção do KC-390 para necessidades da Força Aérea dos Estados Unidos. O valor, portanto, não deve ser confundido com o plano já indicado para Texas e Flórida.

Fort Worth adiciona uma nova camada à plataforma industrial

Se Melbourne representa principalmente produção, engenharia e Aviação Executiva, Fort Worth, no Texas, representa a expansão da capacidade de manutenção da Aviação Comercial.

A Embraer iniciou operações no Perot Field Fort Worth Alliance Airport em junho de 2025, utilizando inicialmente um hangar existente.

Paralelamente, a companhia iniciou a implantação de uma nova estrutura de Manutenção, Reparo e Revisão — MRO — com abertura prevista para 2027.

O investimento divulgado pela Embraer pode alcançar US$ 70 milhões.

Com a expansão concluída, a fabricante estima que sua capacidade de atendimento aos clientes de E-Jets nos Estados Unidos aumentará 53%. A companhia também prevê aproximadamente 250 novos empregos qualificados no setor de aviação no Texas.

Levantamento do BVMI USA identifica 156,6 mil pés quadrados no novo MRO

A dimensão física do projeto pode ser observada com maior precisão quando os dados técnicos da construção são analisados em conjunto com o anúncio corporativo.

Levantamento realizado pelo BVMI USA identificou que o novo complexo de MRO da Embraer em Fort Worth foi registrado com 156.641 pés quadrados de área construída — aproximadamente 14,5 mil m² — e custo estimado de construção de US$ 55,3 milhões.

O projeto está localizado em 220 Eagle Parkway, Fort Worth, Texas, e envolve uma nova estrutura destinada a hangar e operações de MRO.

A conclusão está indicada para março de 2027.

O projeto arquitetônico está associado à RGA Architects Inc., enquanto Alliance Center No. 16 Ltd. aparece como proprietária do imóvel.

O dado permite distinguir o custo estimado da construção física do investimento total divulgado pela Embraer, que pode chegar a US$ 70 milhões e envolve outras necessidades do empreendimento.

Como o investimento em Fort Worth está estruturado

O levantamento realizado pelo BVMI USA identificou também um compromisso mínimo de US$ 57 milhões em investimento privado associado ao empreendimento.

Desse total, pelo menos US$ 42 milhões correspondem a melhorias imobiliárias e US$ 15 milhões a ativos empresariais e equipamentos.

Fort Worth — principais números

IndicadorValor
Investimento anunciado pela Embraeraté US$ 70 milhões
Compromisso mínimo de capitalUS$ 57 milhões
Melhorias imobiliáriasUS$ 42 milhões
Ativos empresariais/equipamentosUS$ 15 milhões
Custo estimado da construçãoUS$ 55,3 milhões
Área construída156.641 pés²
Área aproximada14,5 mil m²
Novos empregos previstosaprox. 250
Aumento da capacidade de MRO nos EUA53%
Nova instalação prevista2027

Os valores representam referências diferentes e não devem ser tratados como contraditórios.

Os US$ 57 milhões correspondem ao compromisso mínimo de investimento relacionado à estrutura local de desenvolvimento econômico, enquanto os até US$ 70 milhões representam o investimento total anunciado pela Embraer para o projeto.

Empregos e remuneração fazem parte da estrutura econômica do projeto

A expansão de Fort Worth possui metas relacionadas à geração de empregos.

Os documentos analisados pelo BVMI USA estabelecem a criação de 250 postos de trabalho em tempo integral até o final de 2029, com remuneração média anual mínima de US$ 67 mil.

O incentivo municipal foi estruturado por sete anos e prevê abatimento de até 50% sobre determinados incrementos no valor de propriedades imobiliárias e ativos empresariais, com benefício estimado em aproximadamente US$ 1,2 milhão.

Os incentivos estão ligados ao cumprimento de contrapartidas relacionadas ao projeto.

Esse modelo mostra como a expansão de uma fabricante brasileira pode se conectar diretamente à política de desenvolvimento industrial de uma região americana.

O novo MRO amplia demanda além dos fornecedores aeronáuticos

A implantação de uma estrutura com mais de 14 mil m² cria demandas industriais que ultrapassam fabricantes tradicionais de componentes de aeronaves.

Projetos dessa natureza envolvem construção civil industrial, estruturas, engenharia, instalações elétricas, HVAC, sistemas de proteção contra incêndio, iluminação técnica, pisos industriais, equipamentos de hangar, movimentação de materiais, tecnologia da informação e infraestrutura de manutenção.

Quando a operação entra em funcionamento, outras categorias ganham relevância: tooling, equipamentos de inspeção, peças aeronáuticas, materiais consumíveis, logística, armazenagem, testes, calibração e equipamentos de apoio em solo.

Essas categorias representam demandas típicas de uma operação MRO e não significam que existam processos de contratação atualmente abertos pela Embraer para cada um desses segmentos.

O ponto relevante para o BVMI USA é mostrar como um investimento aeronáutico pode gerar atividade em uma cadeia industrial muito mais ampla do que o setor de aviação isoladamente.

Recrutamento mostra formação de capacidade técnica em Fort Worth

A expansão não está restrita ao cronograma da construção.

Na data de publicação desta reportagem, levantamento realizado pelo BVMI USA identificou processos de recrutamento da Embraer em Fort Worth para Aircraft Inspector, Contract A&P Technician, Lead A&P Technician e Structures Aircraft Mechanic.

São funções diretamente ligadas à inspeção, manutenção, sistemas de aeronaves, estruturas e conformidade técnica.

A composição das vagas reforça o perfil especializado dos empregos previstos para o complexo.

O movimento ocorre simultaneamente ao recrutamento em Melbourne para montagem, engenharia de manufatura, procurement, qualidade, preparação para voo e outras atividades industriais.

A presença americana, portanto, não cresce somente em área construída. Há também uma expansão da capacidade humana necessária para operar essas instalações.

Nashville, Macon e Fort Worth formam rede de manutenção pesada

Fort Worth deve ser analisada dentro de uma rede maior.

Em julho de 2026, Embraer e SkyWest Airlines estenderam um acordo de longo prazo de manutenção pesada para a frota de 271 aeronaves E175 da companhia americana.

As atividades serão realizadas nas unidades da Embraer Serviços & Suporte em Nashville, Tennessee; Macon, Geórgia; e Fort Worth, Texas.

O acordo amplia a capacidade disponível e oferece suporte ao planejamento de longo prazo da frota da SkyWest, descrita como a maior proprietária e operadora de E175 do mundo.

Fort Worth, assim, não está sendo implantada como estrutura isolada.

Ela amplia uma rede americana de manutenção já em operação.

Republic Airways demonstra a escala do trabalho em Nashville

Outro exemplo aparece na relação com a Republic Airways.

Em outubro de 2025, a Embraer anunciou a extensão de um acordo de manutenção pesada para mais de 240 aeronaves E170 e E175 da companhia.

A Republic utiliza as instalações de Nashville desde 2011.

Até a renovação, a operadora já havia realizado mais de 650 visitas de manutenção pesada, acumulando mais de 3,3 milhões de horas de trabalho nas instalações da Embraer.

A extensão prevê mais 225 visitas de manutenção pesada e três posições de manutenção dedicadas à Republic.

Os números ajudam a demonstrar por que a manutenção se tornou uma frente industrial relevante dentro da operação americana.

A venda de uma aeronave ocorre em um determinado momento. Manutenção, componentes, inspeções, engenharia e suporte permanecem necessários durante toda a vida operacional do equipamento.

Clientes americanos ajudam a explicar o aumento de capacidade

A escala do mercado americano está diretamente relacionada aos investimentos.

A Embraer informa que aproximadamente 45% das vendas de seus jatos comerciais e 70% das vendas de jatos executivos são destinadas a clientes dos Estados Unidos.

A companhia estima ainda que quase 1.000 jatos comerciais Embraer estejam operando em 27 companhias aéreas americanas, enquanto mais de 1.100 jatos executivos Embraer são utilizados por clientes dos Estados Unidos.

Essa frota instalada gera demanda contínua por peças, técnicos, engenharia, manutenção, suporte e treinamento.

Nesse contexto, produzir mais perto do cliente e ampliar o pós-venda local são partes da mesma estratégia industrial.

Flexjet transforma pedido em programa industrial de longo prazo

A entrega do primeiro Praetor 600E em Melbourne ajuda a visualizar como grandes pedidos influenciam planejamento e capacidade.

Em 18 de setembro de 2026, a Embraer entregou à Flexjet o primeiro Praetor 600E, tornando a operadora cliente frotista de lançamento da nova geração da aeronave.

A entrega faz parte do acordo anunciado em fevereiro de 2025 e avaliado em até US$ 7 bilhões.

Contratos dessa dimensão não devem ser observados apenas como eventos comerciais.

Eles exigem planejamento plurianual de produção, fornecedores, materiais, componentes, mão de obra, logística, qualidade, entrega e suporte pós-venda.

Em outras palavras, grandes pedidos ajudam a transformar crescimento comercial em necessidade concreta de capacidade industrial.

Executivos ligados às áreas de produção, supply chain e serviços

A estrutura executiva ajuda a compreender quem conduz algumas das áreas diretamente relacionadas à expansão descrita nesta reportagem.

Michael Amalfitano ocupa a posição de Presidente e CEO da Embraer Aviação Executiva.

Na estrutura global da companhia, Luis Marinho é Vice-Presidente Executivo de Operações; Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Global Procurement & Supply Chain; e Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços & Suporte.

As funções representam três dimensões centrais da presença americana.

Operações está ligada à execução industrial; Procurement & Supply Chain conecta a produção à rede global de fornecedores; e Serviços & Suporte acompanha a aeronave durante sua vida operacional.

É justamente a interação entre essas atividades que transforma a presença da Embraer nos Estados Unidos em uma plataforma industrial completa.

Embraer nos Estados Unidos amplia plataforma industrial entre produção na Flórida e novo centro de manutenção no Texas

Brasil e Estados Unidos funcionam como partes da mesma cadeia

A estrutura pode ser observada por meio das funções assumidas por cada polo.

São José dos Campos concentra sede, engenharia, desenvolvimento e importantes atividades industriais.

Gavião Peixoto participa da produção da Aviação Executiva, montagem dos Praetor e outras capacidades industriais e de testes.

Melbourne concentra montagem final de jatos executivos, engenharia, preparação de aeronaves, entrega e MRO.

Fort Worth amplia a capacidade americana de manutenção da Aviação Comercial.

Nashville e Macon complementam a rede de manutenção pesada.

Ao redor desses polos estão centenas de fornecedores americanos de sistemas, materiais, componentes e serviços.

Na outra extremidade aparecem grandes operadores como Flexjet, SkyWest e Republic Airways.

O resultado não é simplesmente uma operação brasileira no exterior.

É uma cadeia industrial Brasil–Estados Unidos na qual capital, engenharia, fornecimento, produção e serviços estão interligados.

A Embraer nos Estados Unidos deixou de ser apenas uma presença comercial

A imagem de uma fabricante brasileira que produz aeronaves no Brasil e simplesmente exporta para os Estados Unidos já não descreve adequadamente a operação.

Levantamento realizado pelo BVMI USA mostra uma estrutura formada por 17 instalações, mais de 2.500 profissionais, mais de 250 empresas fornecedoras americanas, produção de jatos executivos na Flórida e uma rede crescente de manutenção distribuída por diferentes estados.

Em Fort Worth, um novo complexo de aproximadamente 14,5 mil m² avança com abertura prevista para 2027.

Em Gavião Peixoto e Melbourne, um programa de US$ 90 milhões busca ampliar a capacidade da Aviação Executiva.

Na cadeia de suprimentos, a companhia projeta mais de US$ 21 bilhões em compras de empresas americanas durante os próximos cinco anos.

E, em uma camada mais ampla de investimentos ainda sem decomposição pública completa, a Embraer indica US$ 500 milhões para sua nova instalação de manutenção no Texas e para a expansão das operações na Flórida.

A entrega do primeiro Praetor 600E à Flexjet é, portanto, apenas a parte mais visível de uma estrutura industrial muito maior.

Por trás da aeronave existe uma cadeia que começa na engenharia e na manufatura brasileira, atravessa centenas de fornecedores americanos, chega à montagem e à engenharia na Flórida, alcança centros de manutenção no Texas, Tennessee e Geórgia e permanece conectada aos operadores durante toda a vida útil do equipamento.

Para o BVMI USA, é nessa integração entre manufatura, fornecedores, CAPEX, engenharia, mão de obra especializada e pós-venda que a presença da Embraer nos Estados Unidos assume sua maior relevância industrial.Levantamento realizado pelo BVMI USA mostra uma operação com 17 instalações, mais de 250 fornecedores americanos, US$ 21 bilhões em compras previstas e novos investimentos industriais na Flórida e no Texas.

A operação da Embraer nos Estados Unidos alcançou uma dimensão que vai muito além da venda de aeronaves ao mercado americano. Levantamento realizado pelo BVMI USA mostra uma plataforma industrial formada por produção e engenharia na Flórida, manutenção aeronáutica no Texas, Tennessee e Geórgia, centenas de fornecedores locais e novos investimentos destinados à ampliação da capacidade instalada.

Nos próximos cinco anos, a fabricante brasileira prevê adquirir mais de US$ 21 bilhões em bens e serviços de empresas dos Estados Unidos. A companhia também indica a intenção de investir US$ 500 milhões em uma nova instalação de manutenção no Texas e na expansão de suas operações na Flórida.

Um dos sinais mais recentes dessa expansão ocorreu em 18 de setembro de 2026, quando a Embraer entregou à Flexjet, em Melbourne, na Flórida, o primeiro Praetor 600E. A aeronave integra um acordo avaliado em até US$ 7 bilhões, anunciado pelas empresas em 2025.

A entrega, entretanto, é apenas a parte mais visível de uma cadeia que começa nos centros industriais e de engenharia brasileiros, atravessa uma extensa base de fornecedores americanos e alcança linhas de montagem, centros de manutenção e grandes operadores de aeronaves nos Estados Unidos.

Embraer nos Estados Unidos — em números

IndicadorDimensão
Instalações nos Estados Unidos17
Área total das instalações917 mil pés²
Profissionais qualificadosmais de 2.500
Ativos nos Estados Unidosmais de US$ 3 bilhões
Empresas fornecedoras americanasmais de 250
Estados com fornecedores Embraer27
Empregos associados à fabricação de produtos Embraercerca de 10 mil
Compras previstas de empresas americanas em 5 anosmais de US$ 21 bilhões
Plano de investimentos em Texas e FlóridaUS$ 500 milhões
CAPEX Gavião Peixoto + MelbourneUS$ 90 milhões
CAPEX Fort Worthaté US$ 70 milhões

A Embraer informa atualmente empregar mais de 2.500 profissionais nos Estados Unidos e administrar mais de US$ 3 bilhões em ativos no país. As 17 instalações somam aproximadamente 917 mil pés quadrados.

De São José dos Campos e Gavião Peixoto para uma rede industrial americana

Apesar da crescente presença física nos Estados Unidos, a estrutura americana permanece conectada à base industrial brasileira.

São José dos Campos continua sendo sede da Embraer e um dos principais centros de engenharia, desenvolvimento e produção da companhia. Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, participa da fabricação da Aviação Executiva, da montagem da família Praetor e de atividades industriais e de ensaios.

Nos Estados Unidos, Melbourne, na Flórida, tornou-se o núcleo industrial da Aviação Executiva.

A própria Embraer apresenta a unidade americana como sede nos Estados Unidos, sede global da Aviação Executiva, centro de excelência, centro de engenharia e tecnologia, instalação de MRO e unidade de montagem final de jatos executivos.

A operação demonstra que a internacionalização da companhia deixou de funcionar apenas no modelo tradicional de produzir no Brasil e exportar a aeronave final.

Hoje existe uma cadeia industrial distribuída, na qual engenharia, produção, componentes, fornecedores, logística, montagem final, entrega e pós-venda estão conectados entre Brasil e Estados Unidos.

US$ 90 milhões em CAPEX conectam Gavião Peixoto e Melbourne

Um dos principais projetos de expansão da companhia deixa essa relação explícita.

Os resultados financeiros mais recentes da Embraer mantêm um programa de aproximadamente US$ 90 milhões em CAPEX entre 2024 e 2027, envolvendo conjuntamente Gavião Peixoto, em São Paulo, e Melbourne, na Flórida.

O objetivo é aumentar a capacidade produtiva da Aviação Executiva até 2027, acompanhando o crescimento da carteira de pedidos.

É importante fazer uma distinção: os US$ 90 milhões não representam um investimento exclusivo em Melbourne. O programa divulgado pela companhia cobre as duas unidades, e a Embraer não apresenta, nos documentos analisados pelo BVMI USA, uma divisão pública completa do valor destinado individualmente a cada planta.

O aumento de capacidade acontece em um período de forte carteira de pedidos.

No segundo trimestre de 2026, o backlog consolidado da Embraer alcançou o recorde de US$ 34,5 bilhões. A Aviação Executiva respondia por US$ 7,8 bilhões, 5% acima do resultado registrado um ano antes.

Melbourne é fábrica, centro de engenharia e plataforma de entrega

A presença física e o perfil das funções existentes em Melbourne ajudam a mostrar a complexidade industrial da unidade.

Levantamento realizado pelo BVMI USA identificou, na data desta publicação, processos de recrutamento da Embraer em Melbourne para profissionais ligados diretamente à montagem de aeronaves, engenharia de manufatura, procurement, qualidade, preparação para voo, interiores, pintura, manutenção e desenvolvimento de produto.

Entre as posições aparecem funções como Assembly Technician, Manufacturing Engineer, Procurement Specialist, Quality Inspector, Flight Prep Technician, A&P Technician, Aircraft Interiors Technician e Product Development Engineer.

Esses cargos ajudam a revelar atividades que normalmente ficam invisíveis quando a atenção se concentra apenas no avião entregue ao cliente.

Uma linha de montagem depende de planejamento de produção, fluxo de materiais, estoque, componentes, tooling, inspeções, logística interna, qualidade, engenharia de manufatura, preparação de voo e coordenação com fornecedores.

Melbourne, portanto, deve ser observada como estrutura industrial, e não apenas como centro comercial ou de entrega.

Energia também passa a fazer parte da infraestrutura industrial

Em novembro de 2025, a Embraer colocou em operação em Melbourne seu maior projeto próprio de geração solar.

A instalação possui mais de 1.900 painéis fotovoltaicos, com capacidade de fornecer até 1.800 MWh por ano, e foi desenvolvida com a Florida Power & Light por meio do programa SolarVantage.

O projeto está instalado na sede da Embraer Executive Jets e integra a estratégia da companhia de ampliar o uso de energia renovável em suas operações.

Para uma unidade que concentra produção, engenharia, atendimento e preparação de aeronaves, a infraestrutura energética passa a integrar também a discussão sobre capacidade industrial.

Mais de 250 empresas americanas abastecem a cadeia Embraer

A produção nos Estados Unidos representa apenas uma parte da integração da fabricante brasileira à economia americana.

Levantamento realizado pelo BVMI USA identificou que a Embraer trabalha com mais de 250 empresas fornecedoras americanas distribuídas por 27 estados.

A companhia associa essa cadeia a aproximadamente 10 mil empregos qualificados envolvidos na fabricação de produtos Embraer.

Entre as empresas relacionadas pela própria Embraer como participantes de sua cadeia americana estão nomes como GE, Collins Aerospace, Pratt & Whitney, Honeywell, Parker, Garmin, Arconic, BAE Systems, CPI Aero, Crane Aerospace & Electronics, Eaton, Glenair, Hartzell, Hexcel, Lisi Aerospace, Moog, PPG e Safran, entre outras.

A lista cobre diversos segmentos de alta complexidade: motores, aviônicos, eletrônica, sistemas mecânicos, materiais avançados, componentes estruturais, conectores, coatings e outros equipamentos utilizados pela indústria aeronáutica.

Fornecedores americanos aparecem entre os destaques globais da Embraer

A importância dessas empresas apareceu novamente na Embraer Suppliers Conference 2026.

Quatro fornecedores dos Estados Unidos foram reconhecidos entre os destaques globais da companhia: Hexcel, na categoria Hardware & Matéria-Prima; Garmin, em Sistemas Elétricos & Eletrônicos; Moog, em Sistemas Mecânicos; e Pratt & Whitney, na categoria Destaque em Colaboração.

A cadeia global de suprimentos da Embraer abrange mais de 60 países, o que coloca as empresas americanas dentro de uma rede internacional conectada diretamente aos programas industriais da fabricante brasileira.

US$ 21 bilhões em compras mostram dimensão maior que o CAPEX físico

Um dos números mais relevantes identificados pelo levantamento do BVMI USA está na projeção de procurement.

A Embraer informa que pretende adquirir mais de US$ 21 bilhões em bens e serviços de empresas dos Estados Unidos durante os próximos cinco anos.

O valor ajuda a diferenciar dois movimentos.

O CAPEX representa principalmente investimentos em instalações, ampliação de capacidade e aquisição de determinados ativos. Já o volume de compras mostra a movimentação econômica recorrente necessária para manter aeronaves sendo produzidas, entregues e atendidas.

É justamente essa segunda camada que revela a profundidade da Embraer dentro da cadeia industrial americana.

A previsão de US$ 21 bilhões envolve uma base de fornecedores que alcança 27 estados, enquanto a companhia informa possuir presença tributável em 32 estados americanos.

Embraer indica US$ 500 milhões para Texas e Flórida

Outro número amplia a perspectiva sobre os próximos anos.

A Embraer afirma que pretende investir US$ 500 milhões em uma nova instalação de manutenção no Texas e na expansão de suas operações na Flórida nos próximos cinco anos.

O dado deve ser interpretado com cuidado.

A documentação analisada pelo BVMI USA não apresenta uma decomposição completa dos US$ 500 milhões por projeto, instalação ou ano.

Por isso, não é adequado simplesmente somar os US$ 500 milhões aos programas de US$ 90 milhões de Gavião Peixoto/Melbourne e US$ 70 milhões de Fort Worth, já que os projetos atualmente conhecidos podem estar total ou parcialmente contemplados dentro desse plano mais amplo.

Há ainda outro anúncio de US$ 500 milhões no material americano da Embraer, mas relacionado a um cenário diferente: esse investimento adicional está condicionado a uma eventual seleção do KC-390 para necessidades da Força Aérea dos Estados Unidos. O valor, portanto, não deve ser confundido com o plano já indicado para Texas e Flórida.

Fort Worth adiciona uma nova camada à plataforma industrial

Se Melbourne representa principalmente produção, engenharia e Aviação Executiva, Fort Worth, no Texas, representa a expansão da capacidade de manutenção da Aviação Comercial.

A Embraer iniciou operações no Perot Field Fort Worth Alliance Airport em junho de 2025, utilizando inicialmente um hangar existente.

Paralelamente, a companhia iniciou a implantação de uma nova estrutura de Manutenção, Reparo e Revisão — MRO — com abertura prevista para 2027.

O investimento divulgado pela Embraer pode alcançar US$ 70 milhões.

Com a expansão concluída, a fabricante estima que sua capacidade de atendimento aos clientes de E-Jets nos Estados Unidos aumentará 53%. A companhia também prevê aproximadamente 250 novos empregos qualificados no setor de aviação no Texas.

Levantamento do BVMI USA identifica 156,6 mil pés quadrados no novo MRO

A dimensão física do projeto pode ser observada com maior precisão quando os dados técnicos da construção são analisados em conjunto com o anúncio corporativo.

Levantamento realizado pelo BVMI USA identificou que o novo complexo de MRO da Embraer em Fort Worth foi registrado com 156.641 pés quadrados de área construída — aproximadamente 14,5 mil m² — e custo estimado de construção de US$ 55,3 milhões.

O projeto está localizado em 220 Eagle Parkway, Fort Worth, Texas, e envolve uma nova estrutura destinada a hangar e operações de MRO.

A conclusão está indicada para março de 2027.

O projeto arquitetônico está associado à RGA Architects Inc., enquanto Alliance Center No. 16 Ltd. aparece como proprietária do imóvel.

O dado permite distinguir o custo estimado da construção física do investimento total divulgado pela Embraer, que pode chegar a US$ 70 milhões e envolve outras necessidades do empreendimento.

Como o investimento em Fort Worth está estruturado

O levantamento realizado pelo BVMI USA identificou também um compromisso mínimo de US$ 57 milhões em investimento privado associado ao empreendimento.

Desse total, pelo menos US$ 42 milhões correspondem a melhorias imobiliárias e US$ 15 milhões a ativos empresariais e equipamentos.

Fort Worth — principais números

IndicadorValor
Investimento anunciado pela Embraeraté US$ 70 milhões
Compromisso mínimo de capitalUS$ 57 milhões
Melhorias imobiliáriasUS$ 42 milhões
Ativos empresariais/equipamentosUS$ 15 milhões
Custo estimado da construçãoUS$ 55,3 milhões
Área construída156.641 pés²
Área aproximada14,5 mil m²
Novos empregos previstosaprox. 250
Aumento da capacidade de MRO nos EUA53%
Nova instalação prevista2027

Os valores representam referências diferentes e não devem ser tratados como contraditórios.

Os US$ 57 milhões correspondem ao compromisso mínimo de investimento relacionado à estrutura local de desenvolvimento econômico, enquanto os até US$ 70 milhões representam o investimento total anunciado pela Embraer para o projeto.

Empregos e remuneração fazem parte da estrutura econômica do projeto

A expansão de Fort Worth possui metas relacionadas à geração de empregos.

Os documentos analisados pelo BVMI USA estabelecem a criação de 250 postos de trabalho em tempo integral até o final de 2029, com remuneração média anual mínima de US$ 67 mil.

O incentivo municipal foi estruturado por sete anos e prevê abatimento de até 50% sobre determinados incrementos no valor de propriedades imobiliárias e ativos empresariais, com benefício estimado em aproximadamente US$ 1,2 milhão.

Os incentivos estão ligados ao cumprimento de contrapartidas relacionadas ao projeto.

Esse modelo mostra como a expansão de uma fabricante brasileira pode se conectar diretamente à política de desenvolvimento industrial de uma região americana.

O novo MRO amplia demanda além dos fornecedores aeronáuticos

A implantação de uma estrutura com mais de 14 mil m² cria demandas industriais que ultrapassam fabricantes tradicionais de componentes de aeronaves.

Projetos dessa natureza envolvem construção civil industrial, estruturas, engenharia, instalações elétricas, HVAC, sistemas de proteção contra incêndio, iluminação técnica, pisos industriais, equipamentos de hangar, movimentação de materiais, tecnologia da informação e infraestrutura de manutenção.

Quando a operação entra em funcionamento, outras categorias ganham relevância: tooling, equipamentos de inspeção, peças aeronáuticas, materiais consumíveis, logística, armazenagem, testes, calibração e equipamentos de apoio em solo.

Essas categorias representam demandas típicas de uma operação MRO e não significam que existam processos de contratação atualmente abertos pela Embraer para cada um desses segmentos.

O ponto relevante para o BVMI USA é mostrar como um investimento aeronáutico pode gerar atividade em uma cadeia industrial muito mais ampla do que o setor de aviação isoladamente.

Recrutamento mostra formação de capacidade técnica em Fort Worth

A expansão não está restrita ao cronograma da construção.

Na data de publicação desta reportagem, levantamento realizado pelo BVMI USA identificou processos de recrutamento da Embraer em Fort Worth para Aircraft Inspector, Contract A&P Technician, Lead A&P Technician e Structures Aircraft Mechanic.

São funções diretamente ligadas à inspeção, manutenção, sistemas de aeronaves, estruturas e conformidade técnica.

A composição das vagas reforça o perfil especializado dos empregos previstos para o complexo.

O movimento ocorre simultaneamente ao recrutamento em Melbourne para montagem, engenharia de manufatura, procurement, qualidade, preparação para voo e outras atividades industriais.

A presença americana, portanto, não cresce somente em área construída. Há também uma expansão da capacidade humana necessária para operar essas instalações.

Nashville, Macon e Fort Worth formam rede de manutenção pesada

Fort Worth deve ser analisada dentro de uma rede maior.

Em julho de 2026, Embraer e SkyWest Airlines estenderam um acordo de longo prazo de manutenção pesada para a frota de 271 aeronaves E175 da companhia americana.

As atividades serão realizadas nas unidades da Embraer Serviços & Suporte em Nashville, Tennessee; Macon, Geórgia; e Fort Worth, Texas.

O acordo amplia a capacidade disponível e oferece suporte ao planejamento de longo prazo da frota da SkyWest, descrita como a maior proprietária e operadora de E175 do mundo.

Fort Worth, assim, não está sendo implantada como estrutura isolada.

Ela amplia uma rede americana de manutenção já em operação.

Republic Airways demonstra a escala do trabalho em Nashville

Outro exemplo aparece na relação com a Republic Airways.

Em outubro de 2025, a Embraer anunciou a extensão de um acordo de manutenção pesada para mais de 240 aeronaves E170 e E175 da companhia.

A Republic utiliza as instalações de Nashville desde 2011.

Até a renovação, a operadora já havia realizado mais de 650 visitas de manutenção pesada, acumulando mais de 3,3 milhões de horas de trabalho nas instalações da Embraer.

A extensão prevê mais 225 visitas de manutenção pesada e três posições de manutenção dedicadas à Republic.

Os números ajudam a demonstrar por que a manutenção se tornou uma frente industrial relevante dentro da operação americana.

A venda de uma aeronave ocorre em um determinado momento. Manutenção, componentes, inspeções, engenharia e suporte permanecem necessários durante toda a vida operacional do equipamento.

Clientes americanos ajudam a explicar o aumento de capacidade

A escala do mercado americano está diretamente relacionada aos investimentos.

A Embraer informa que aproximadamente 45% das vendas de seus jatos comerciais e 70% das vendas de jatos executivos são destinadas a clientes dos Estados Unidos.

A companhia estima ainda que quase 1.000 jatos comerciais Embraer estejam operando em 27 companhias aéreas americanas, enquanto mais de 1.100 jatos executivos Embraer são utilizados por clientes dos Estados Unidos.

Essa frota instalada gera demanda contínua por peças, técnicos, engenharia, manutenção, suporte e treinamento.

Nesse contexto, produzir mais perto do cliente e ampliar o pós-venda local são partes da mesma estratégia industrial.

Flexjet transforma pedido em programa industrial de longo prazo

A entrega do primeiro Praetor 600E em Melbourne ajuda a visualizar como grandes pedidos influenciam planejamento e capacidade.

Em 18 de setembro de 2026, a Embraer entregou à Flexjet o primeiro Praetor 600E, tornando a operadora cliente frotista de lançamento da nova geração da aeronave.

A entrega faz parte do acordo anunciado em fevereiro de 2025 e avaliado em até US$ 7 bilhões.

Contratos dessa dimensão não devem ser observados apenas como eventos comerciais.

Eles exigem planejamento plurianual de produção, fornecedores, materiais, componentes, mão de obra, logística, qualidade, entrega e suporte pós-venda.

Em outras palavras, grandes pedidos ajudam a transformar crescimento comercial em necessidade concreta de capacidade industrial.

Executivos ligados às áreas de produção, supply chain e serviços

A estrutura executiva ajuda a compreender quem conduz algumas das áreas diretamente relacionadas à expansão descrita nesta reportagem.

Michael Amalfitano ocupa a posição de Presidente e CEO da Embraer Aviação Executiva.

Na estrutura global da companhia, Luis Marinho é Vice-Presidente Executivo de Operações; Roberto Chaves, Vice-Presidente Executivo de Global Procurement & Supply Chain; e Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços & Suporte.

As funções representam três dimensões centrais da presença americana.

Operações está ligada à execução industrial; Procurement & Supply Chain conecta a produção à rede global de fornecedores; e Serviços & Suporte acompanha a aeronave durante sua vida operacional.

É justamente a interação entre essas atividades que transforma a presença da Embraer nos Estados Unidos em uma plataforma industrial completa.

Brasil e Estados Unidos funcionam como partes da mesma cadeia

A estrutura pode ser observada por meio das funções assumidas por cada polo.

São José dos Campos concentra sede, engenharia, desenvolvimento e importantes atividades industriais.

Gavião Peixoto participa da produção da Aviação Executiva, montagem dos Praetor e outras capacidades industriais e de testes.

Melbourne concentra montagem final de jatos executivos, engenharia, preparação de aeronaves, entrega e MRO.

Fort Worth amplia a capacidade americana de manutenção da Aviação Comercial.

Nashville e Macon complementam a rede de manutenção pesada.

Ao redor desses polos estão centenas de fornecedores americanos de sistemas, materiais, componentes e serviços.

Na outra extremidade aparecem grandes operadores como Flexjet, SkyWest e Republic Airways.

O resultado não é simplesmente uma operação brasileira no exterior.

É uma cadeia industrial Brasil–Estados Unidos na qual capital, engenharia, fornecimento, produção e serviços estão interligados.

A Embraer nos Estados Unidos deixou de ser apenas uma presença comercial

A imagem de uma fabricante brasileira que produz aeronaves no Brasil e simplesmente exporta para os Estados Unidos já não descreve adequadamente a operação.

Levantamento realizado pelo BVMI USA mostra uma estrutura formada por 17 instalações, mais de 2.500 profissionais, mais de 250 empresas fornecedoras americanas, produção de jatos executivos na Flórida e uma rede crescente de manutenção distribuída por diferentes estados.

Em Fort Worth, um novo complexo de aproximadamente 14,5 mil m² avança com abertura prevista para 2027.

Em Gavião Peixoto e Melbourne, um programa de US$ 90 milhões busca ampliar a capacidade da Aviação Executiva.

Na cadeia de suprimentos, a companhia projeta mais de US$ 21 bilhões em compras de empresas americanas durante os próximos cinco anos.

E, em uma camada mais ampla de investimentos ainda sem decomposição pública completa, a Embraer indica US$ 500 milhões para sua nova instalação de manutenção no Texas e para a expansão das operações na Flórida.

A entrega do primeiro Praetor 600E à Flexjet é, portanto, apenas a parte mais visível de uma estrutura industrial muito maior.

Por trás da aeronave existe uma cadeia que começa na engenharia e na manufatura brasileira, atravessa centenas de fornecedores americanos, chega à montagem e à engenharia na Flórida, alcança centros de manutenção no Texas, Tennessee e Geórgia e permanece conectada aos operadores durante toda a vida útil do equipamento.

Para o BVMI USA, é nessa integração entre manufatura, fornecedores, CAPEX, engenharia, mão de obra especializada e pós-venda que a presença da Embraer nos Estados Unidos assume sua maior relevância industrial.

Dados da matéria

Seção

Empresas Brasileiras nos EUA, Internacionalização industrial nos EUA, Investimentos e Projetos

Empresas mencionadas

Embraer

Localização nos Estados Unidos

Fort Worth, Macon, Melbourne, Nashville – Florida, Georgia, Tennessee, Texas

Origem no Brasil

São José dos Campos – SP

Setores

Aviação, Engenharia, Indústria Aeroespacial, Manutenção Aeronáutica, Supply Chain

Tipos de operação

Ampliação de Capacidade, Expansão Industrial, Fábrica, Implantação Industrial, Investimento Industrial, Manufatura, Manutenção Aeronáutica, MRO, Supply Chain

Tipo de conteúdo

Análise, Reportagem

Status da apuração

Apuração documental