Produtores e uma indústria da Bahia estão discutindo a instalação de um moinho de trigo no oeste do Estado, onde já há o plantio do cereal, embora em pequenas extensões. Os estudos de viabilidade econômica estão em andamento, mas a estimativa inicial é que seja necessário um investimento de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões, além da ampliação do cultivo na região para justificar a unidade.
“Soubemos que o trigo do Oeste da Bahia tem boa produtividade e qualidade para panificação. Como demandamos esse tipo de farinha, vislumbramos a possibilidade de instalar um moinho na região”, diz João Ramos, presidente do Grupo Limiar, uma fabricante de pães industriais com sede em Salvador.
A demanda atual da Limiar é de 35 toneladas de farinha por dia, que pode dobrar no ano que vem com uma ampliação já prevista na fábrica. Como não possui moinho, a empresa adquire a matéria-prima de processadoras do Nordeste – na Bahia, conforme Ramos, existem apenas três moinhos. A ideia é erguer uma unidade com capacidade para processar 500 toneladas por dia, o que atenderia a demanda da companhia e ainda geraria um excedente para ser vendido no mercado. “Mas o investimento viria dos dois lados, os produtores seriam nossos sócios”, conta.

Conforme o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Júlio Busato, os primeiros plantios de trigo no oeste do Estado começaram em 2009. A entidade estima que 5 mil hectares tenham sido cobertos com o cereal na região este ano, sob irrigação, mas o moinho iria requerer pelo menos 30 mil hectares (quase metade do que é plantado em São Paulo). “A partir dos estudos, vamos trabalhar para distribuir cotas aos produtores que quiserem participar da indústria”, diz Busato.
O plantio de trigo tem arrebanhado interessados na Bahia especialmente para a rotação de culturas, ocupando um período em que o produtor tem como opção apenas o feijão – cujos preços estão até mais atraentes nos últimos meses. “Não é só a questão dos preços, é o benefício que traz para o solo. O trigo multiplica poucos nematóides e doenças de solo”, afirma o produtor Fabio Ricardi, do município de Riachão das Neves. A Embrapa recomenda o plantio entre 15 de abril e 15 de maio, com a colheita em 100 dias (portanto, entre julho e agosto). “Nas safras subsequentes, há um aumento de cerca de 15% na produtividade de soja ou milho”, conta.
Ricardi começou a semear trigo há três anos, e desde então, saltou de 100 para 700 hectares irrigados. Provavelmente devido ao forte calor, o rendimento este ano ficou entre 4,2 mil e 4,5 mil quilos por hectare, mas já chegou a 6 mil, segundo ele. Em condições de sequeiro, o Paraná (maior produtor nacional) deve ter uma produtividade média de 3 mil quilos por hectare este ano, calcula o governo local.
“Nosso trigo é melhorador, com PH elevado e alta sanidade, porque só recebe água no momento certo”, diz Ricardi. Os principais destinos do trigo baiano são as regiões metropolitanas de Brasília e Goiânia, e a cotação atual está de R$ 800 a R$ 900 por tonelada, acima dos cerca de R$ 600 no Paraná.
Ramos, do Grupo Limiar, acredita que dentro de 90 a 120 dias já haverá uma conclusão sobre a viabilidade do projeto no oeste da Bahia.
Fonte – BVMI – Licio Melo
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